VISC11: o que é, quanto rendeu e quanto paga de taxa
ESEditora Suitebras · · leitura de 8 min

Fundo imobiliário listado em bolsa, negociado por cotas.
Você compra cota do VISC11 em bolsa, pelo home broker de qualquer banco ou corretora. Um dos lugares onde dá pra operar é o Revolut Metal. O VISC11 é o Vinci Shopping Centers, fundo imobiliário de tijolo com participação em cerca de 30 shoppings pelo Brasil. Distribui rendimento todo mês e é administrado pela BRL Trust, com gestão da Vinci Real Estate. Pra formar carteira equilibrada, começa pelo tesouro direto — o investimento mais seguro do Brasil — e depois diversifica.
Este guia mostra, sem rodeio, o que o fundo detém, quanto distribuiu de dividendo nos últimos cinco anos, quais são as taxas, como o imposto incide sobre o rendimento e sobre o ganho na venda da cota, e os principais riscos. Não é recomendação de compra nem de venda.
O que é o VISC11
O VISC11 é um fundo imobiliário de tijolo voltado a shopping centers. "De tijolo" quer dizer que o dinheiro dos cotistas comprou pedaços de imóveis físicos — e não cotas de outros fundos (que são os "fundos de papel"). O ganho do investidor vem do aluguel que os lojistas pagam.
É um condomínio fechado: não existe resgate. Para sair, você vende a cota em bolsa pelo preço do dia, como se vende uma ação. Se o preço da cota estiver abaixo do que você pagou, a perda se realiza na venda.
O código VISC11 é o ticker da cota, que negocia no pregão da B3. Quem compra uma cota compra uma fração do fundo e passa a receber a parte proporcional do que os shoppings arrecadam de aluguel, depois das despesas.
Quem administra
O fundo tem dois papéis que costumam ser confundidos. A administradora cuida da parte formal — guarda os imóveis sob propriedade fiduciária, publica os relatórios e responde pelo que a Comissão de Valores Mobiliários exige. A gestora decide o que o fundo compra, vende e aluga.
No VISC11, a administradora é a BRL Trust DTVM, e a gestora é a Vinci Real Estate (do grupo Vinci Partners, que também é responsável por outros fundos de shopping do mercado).
Quais ativos o fundo tem
O VISC11 detém participação em cerca de 30 shopping centers, espalhados por 15 estados e pelo Distrito Federal. A área bruta locável própria soma algo em torno de 300 mil metros quadrados — a "ABL" é o espaço que o fundo pode alugar para lojas.
A estratégia da gestora é não concentrar: a maior parte dos shoppings é de participação minoritária, em que outra empresa cuida da operação do empreendimento. O maior ativo da carteira é o Prudenshopping, em Presidente Prudente (SP), que representava cerca de 11% da receita operacional em 2025. Nenhum shopping passa muito disso.
Em 2026 o fundo começou a reciclar o portfólio para reduzir dívida: vendeu participação em cinco shoppings por R$ 257 milhões em setembro e anunciou um acordo para vender mais nove por aproximadamente R$ 573 milhões. A composição exata da carteira muda a cada operação e está no relatório gerencial mensal publicado pela Vinci.
Quanto rendeu nos últimos cinco anos
A tabela abaixo mostra o total pago em dividendos por cota a cada ano, apurado nas datas-com de cada distribuição. É a soma do que caiu na conta de quem segurou uma cota do primeiro ao último mês do ano.
| Ano | Dividendo por cota (R$) | Observação |
|---|---|---|
| 2021 | 6,02 | Pandemia ainda pressionando o varejo |
| 2022 | 8,67 | Recuperação das vendas em shopping |
| 2023 | 10,62 | Receita cheia, selic alta pesando na cota |
| 2024 | 10,73 | Pico de distribuição recente |
| 2025 | 9,66 | Reciclagem de portfólio em andamento |
| 2026 (até out) | ≈ 8,00 | R$ 0,84 por mês desde janeiro |
O rendimento mensal fica em torno de R$ 0,80 a R$ 0,84 por cota desde o fim de 2024. Com a cota em R$ 114 (setembro de 2026), isso dá um dividend yield próximo de 8,8% ao ano. Em 2024 e 2025 o yield rodou entre 9% e 10%, porque a cota chegou a ficar abaixo de R$ 100.
Dividend yield não é promessa. Quando o preço da cota cai, o yield sobe automaticamente — e cair preço não é boa notícia para quem já segura a cota. Quando o aluguel recebido no mês cai, cai a distribuição. A obrigação do fundo é dividir pelo menos 95% do lucro, apurado a cada seis meses — isso dá piso, não valor fixo.
Dados: StatusInvest e Investidor10, apurados em outubro de 2026. Os números mudam a cada distribuição; para o valor exato do mês atual, veja o relatório gerencial da Vinci.
Quais são as taxas
Taxa de administração: 1,35% ao ano sobre o patrimônio líquido do fundo. Essa taxa remunera a BRL Trust e a Vinci juntas, sai do caixa antes da distribuição e reduz o rendimento que você recebe. É cobrada todo mês, proporcionalmente.
Taxa de performance: não há. Diferente de outros fundos, o VISC11 não cobra percentual sobre resultado acima de um benchmark.
Taxa de corretagem e custódia: quem cobra é o banco ou a corretora onde você negocia a cota, não o fundo. É aqui que vale escolher uma conta que não cobre pela operação — o custo some do seu bolso ao longo dos anos.
Como funciona o imposto
Rendimento mensal: a pessoa física não paga imposto sobre o dividendo recebido todo mês, desde que a cota seja negociada em bolsa e o fundo tenha pelo menos 100 cotistas. O VISC11 cumpre as duas condições. A isenção não vale para pessoa jurídica, nem para quem detém sozinho mais de 10% das cotas do fundo.
Ganho na venda da cota: se você vender a cota por mais do que pagou, paga 20% sobre o lucro. É você mesmo quem apura e recolhe, pelo DARF, até o último dia útil do mês seguinte à venda. A isenção mensal de R$ 20 mil que existe para ações comuns não vale para cota de FII.
Em 2025 houve uma tentativa, por medida provisória, de acabar com a isenção do rendimento mensal. A medida perdeu validade sem virar lei. A isenção segue em pé em 2026, mas é condicionada e já esteve na mira — considerar isso como risco é razoável.
Principais riscos
Preço da cota: a cota negocia em bolsa e oscila. Em 2024 o VISC11 chegou a R$ 95; em 2026 passou de R$ 115. Quem comprou na alta pode esperar meses ou anos para recuperar.
Vacância e inadimplência: a receita cai quando lojas ficam vazias ou lojistas atrasam. A vacância física do fundo estava em 6% em setembro de 2026, dentro do padrão do setor. Em crise de varejo, esse número sobe.
Juros altos: atingem o VISC11 por dois caminhos ao mesmo tempo. Encarecem a dívida que o fundo tem para financiar aquisições, e tornam a renda fixa mais atraente, pressionando o preço da cota para baixo.
Concentração no varejo: por mais que o fundo tenha 30 shoppings em 15 estados, 100% da receita vem de aluguel de loja. Mudança de hábito do consumidor, migração para o comércio eletrônico ou retração do consumo atingem a carteira inteira ao mesmo tempo.
Liquidez de saída: não existe resgate. Para sair, você vende a cota em bolsa. Em dia de estresse, pode não haver comprador no preço que você quer.
Perguntas Frequentes
O que o VISC11 investe?
Em cerca de 30 shopping centers espalhados por 15 estados e pelo Distrito Federal. O fundo detém participação em cada um — em alguns é dono majoritário, na maioria é minoritário. O resultado vem do aluguel das lojas.
Como comprar cota do VISC11?
Pela sua corretora ou pelo home broker do seu banco, do mesmo jeito que se compra uma ação. Procura pelo código VISC11, escolhe a quantidade e envia a ordem. A cota é creditada em um ou dois dias úteis.
Qual a taxa de administração do VISC11?
1,35% ao ano sobre o patrimônio líquido. Essa taxa remunera administradora e gestora juntas, sai do caixa antes da distribuição e já está "descontada" no dividendo que cai na sua conta.
Com que frequência o VISC11 paga rendimento?
Todo mês, por volta do dia 15. O valor do mês varia entre R$ 0,80 e R$ 0,85 por cota desde o fim de 2024. Ao longo do ano, o total ficou entre R$ 9,66 e R$ 10,73 por cota nos últimos três anos cheios.
A pessoa física paga imposto sobre o rendimento mensal?
Não — desde que a cota seja negociada em bolsa e o fundo tenha pelo menos 100 cotistas. O VISC11 cumpre. Pessoa jurídica paga 20% na fonte, e quem detém sozinho mais de 10% do fundo também perde a isenção.
Paga imposto ao vender a cota com lucro?
Sim. 20% sobre o lucro, apurado por você e recolhido via DARF até o último dia útil do mês seguinte à venda. A isenção mensal de R$ 20 mil que vale para ações comuns não se aplica a cota de FII.
O VISC11 tem liquidez diária?
Dá para vender em qualquer pregão, mas isso não é "resgate". A cota vai pelo preço que o mercado está pagando naquele dia. Em dia tranquilo, você negocia em minutos; em crise, o volume cai e vender depressa pode significar perder preço.
Quais são os riscos de investir no VISC11?
Cinco. Preço da cota oscila. Rendimento cai quando o aluguel cai, por vacância ou inadimplência. Juros altos pressionam a cota para baixo e encarecem a dívida do fundo. A carteira depende 100% de varejo em shopping. E, para sair, você precisa vender em bolsa pelo preço do dia.
Qual a diferença do VISC11 para outros FII de shopping?
É um dos maiores do segmento em patrimônio e número de shoppings, com participação minoritária na maior parte da carteira — o que dilui o risco de um ativo específico mas também o poder de decisão sobre reformas e locações. Compare taxa de administração, vacância, alavancagem e dividendo por cota em série no relatório gerencial de cada fundo que você está considerando.
Este conteúdo é informativo e descreve a situação do fundo em outubro de 2026. Indicador de FII muda a cada mês e norma tributária muda a cada ano: antes de qualquer decisão, confira o relatório gerencial mais recente da Vinci e, se quiser recomendação adequada ao seu caso, procure profissional autorizado.


