Como emitir nota fiscal médica: Receita Saúde e NFS-e
ESEditora Suitebras · · leitura de 9 min

Consulta particular gera nota — e a retenção muda conforme o tomador.
Médico que atende como PESSOA FÍSICA (autônomo, sem CNPJ) usa o Receita Saúde — recibo eletrônico obrigatório desde 1º de janeiro de 2025 pra médico e outros profissionais de saúde. Médico que atende como PESSOA JURÍDICA (CNPJ com atividade médica, SLU ou LTDA) emite nota fiscal de serviço (NFS-e) pela prefeitura. Pra clínica com endereço fiscal definido, o passo é cadastrar o CNPJ no sistema municipal e começar a emitir — processo todo digital.
Principais pontos
Dois caminhos, dependendo de como o médico atende:
• Pessoa física (autônomo): usa o RECIBO DO RECEITA SAÚDE, obrigatório pra todos os atendimentos desde 2025. Dispensa carnê-leão em muitos casos; dados ficam no sistema da Receita e aparecem na declaração do IR.
• Pessoa jurídica (empresa médica): emite NFS-e (Nota Fiscal de Serviço eletrônica) pela prefeitura. Guarda cópia da nota; recolhe ISS municipal. Pode optar por Simples Nacional, Lucro Presumido ou Real.
A escolha do caminho é anterior ao atendimento. Médico que pretende operar com estrutura jurídica mais robusta abre empresa médica (SLU ou LTDA); médico que atende esporadicamente mantém como pessoa física.
Receita Saúde (pra pessoa física)
O que é
É um sistema da Receita Federal pra emissão de recibo eletrônico de serviço de saúde. Obrigatório pros médicos, dentistas, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas que atendem como pessoa física. Substitui o recibo tradicional em papel.
Como se emite
Pelo portal "Carnê-leão Web" da Receita Federal, com login na conta gov.br. O médico informa: dados do paciente (CPF, nome), data e valor do serviço. O sistema gera recibo eletrônico, envia por e-mail ao paciente (quando o paciente informa o e-mail) e armazena na base da Receita.
Como se declara
Os dados do Receita Saúde migram automaticamente pra pré-preenchida da Declaração do IR anual. O médico confere, ajusta se necessário, submete. Os pacientes também usam esses dados: a dedução de despesa com saúde (sem limite para quem tem IR a pagar) é confirmada pelo sistema.
Carnê-leão em paralelo?
Com o Receita Saúde, o carnê-leão continua existindo pra outras rendas (aluguel, pensões, honorários não cobertos pelo Receita Saúde). Mas pra atendimento clínico tradicional, o Receita Saúde substitui — não precisa dupla escrita.
NFS-e (pra pessoa jurídica)
Pré-requisitos
Antes de emitir, confirmar que:
• CNPJ ativo, com atividade médica no CNAE (geralmente 8650-0/01, 8650-0/02, 8690-9/01, etc.).
• Inscrição Municipal ativa na prefeitura do endereço fiscal.
• Alvará Sanitário em dia.
• Certificado digital (A1 ou A3) ou acesso ao portal da prefeitura com conta gov.br.
Passo a passo
1. Acessar o portal de NFS-e da prefeitura (ex.: NFSE-SP pra São Paulo, Nota Fiscal Carioca pro Rio, etc.) ou usar o Portal Nacional da NFS-e (serviço unificado em cidades que aderiram).
2. Entrar com certificado digital ou conta gov.br.
3. Preencher dados: CPF/CNPJ do tomador (paciente), descrição do serviço (consulta médica, especialidade), valor, código do serviço (vinculado ao CNAE da empresa).
4. Submeter — a nota é gerada em segundos, com número oficial.
5. Enviar ao paciente (e-mail automático, ou link pra download).
6. ISS municipal é calculado automaticamente, cobrado mensalmente.
Pra Simples Nacional
No Simples Nacional, médico com empresa (SLU ou LTDA médica) enquadra-se no Anexo III (fator R aplicável) ou Anexo V (sem fator R). O enquadramento depende da relação entre folha de salários e faturamento. Pra médico que opera sozinho ou com pouca equipe, geralmente cai no Anexo V (alíquota efetiva ao redor de 15-18%); com equipe estruturada, pode cair no Anexo III (6-11%).
Confrontos CPF x CNPJ
Pessoa física (autônomo)
• Imposto: tabela progressiva de IR, até 27,5% sobre renda líquida.
• Sistema: Receita Saúde (digital, automático).
• Formalizaçã, mínima — basta inscrição INSS e começar a declarar.
• Custo mensal: INSS 20% sobre valores dentro do teto (R$ 7.000 em 2026) ou contribuição baseada no salário mínimo.
Pessoa jurídica (empresa médica)
• Imposto: Simples (alíquota efetiva 15-18% dependendo do anexo e faixa) OU Presumido (IRPJ + CSLL + PIS + Cofins + ISS, somando 11-15%).
• Sistema: NFS-e pela prefeitura.
• Formalizaçã, CNPJ, Contrato Social, Inscrição Municipal, Alvará, contador.
• Custo mensal: contador (R$ 400-800), Simples ou outro imposto. INSS patronal se tiver funcionário.
Quando compensa cada um
Pra renda média abaixo de R$ 15 mil/mês: pessoa física tende a ser suficiente, com menos burocracia. Entre R$ 15-30 mil/mês: avaliar comparando — a diferença de impostos cresce. Acima de R$ 30 mil/mês: pessoa jurídica (empresa médica) geralmente vale a pena, mesmo com o custo adicional de contador.
Tipos de serviço médico
Consulta ambulatorial
Serviço mais comum. Pra pessoa física: Receita Saúde direto. Pra PJ: NFS-e com CNAE 8650-0/01 (atividade de médicos).
Procedimentos cirúrgicos
Pra médico cirurgião que opera em hospital, a nota geralmente é emitida pelo hospital (que cobra do paciente ou do plano de saúde), e o médico recebe por repasse. O repasse é renda do médico. Pra procedimento ambulatorial feito no consultório: nota pelo próprio médico (pessoa jurídica) ou recibo (pessoa física).
Teleconsulta
A telemedicina é regulamentada por norma do CFM. Pra pessoa física, o Receita Saúde cobre teleconsulta normalmente. Pra PJ, NFS-e emitida pela prefeitura — ISS devido no município do prestador (do endereço fiscal da empresa médica).
Convênio médico
Pra médico que atende por plano de saúde, o plano paga mensalmente pelo total de consultas realizadas (produção). Essa receita é tratada como receita de serviço — Nota Fiscal pela PJ do médico pro plano. O plano retém o IRPF ou IRPJ aplicável, dependendo da estrutura.
ISS, retenção e cálculo
Alíquota de ISS em consulta médica
Consulta médica geralmente tem alíquota de ISS entre 2% e 5% (piso e teto nacionais). Em São Paulo, 2% pra algumas especialidades (pediatra, geriatra); em outras cidades, 5% padrão. O ISS incide sobre o valor da nota — não há dedução adicional, só o valor bruto é a base.
Retenção na fonte
Pra médico PJ que presta serviço a tomador pessoa jurídica (clínica, hospital, operadora de saúde), pode haver retenção na fonte do ISS no município do tomador — depende da regra municipal. Pra consulta particular com paciente pessoa física, não há retenção; o médico recolhe o ISS integral ao final do mês.
Cálculo em pessoa física
No Receita Saúde, o sistema calcula automaticamente: valor consulta × alíquota do IR (progressiva), com dedução automática no mês seguinte. Pra médico com várias fontes (consultas, cursos, outros honorários), carnê-leão continua existindo como caminho pra renda não-saúde. A soma do que entra pelo Receita Saúde + o que entra pelo carnê-leão define o imposto final.
Erros comuns
• Não emitir Receita Saúde achando que é opcional — hoje é obrigatório pros médicos. Não emitir vira infração fiscal.
• Emitir NFS-e com CNAE errado — o código tem que corresponder à atividade médica. CNAE errado invalida a dedução pro paciente (quando pede).
• Deixar o Alvará Sanitário vencer — nota continua sendo emitida, mas o estabelecimento fica irregular, com risco de multa e interdição.
Perguntas Frequentes
Médico tem que emitir Nota Fiscal?
Sim. Como pessoa física, pelo Receita Saúde (obrigatório desde 2025). Como pessoa jurídica, pela NFS-e da prefeitura. Pros pacientes, essa documentação é condição pra deduzir despesa com saúde no IR.
Posso emitir recibo de papel?
O Receita Saúde substitui o recibo tradicional. Pode-se emitir recibo complementar (como comprovante impresso), mas o oficial, pra efeitos fiscais, é o eletrônico.
Receita Saúde serve pra Simples?
Não. Receita Saúde é pra pessoa física. Pra empresa médica, mesmo no Simples, a nota é NFS-e emitida pela prefeitura.
E se o paciente paga em dinheiro?
Mesmo em dinheiro, se é renda do atendimento, precisa gerar recibo (Receita Saúde pra PF) ou nota (NFS-e pra PJ). O pagamento em dinheiro não dispensa a formalização — só o canal é diferente.
Como declaro no IR?
Pessoa física: valores migram automaticamente do Receita Saúde pra Declaração do IR. Pessoa jurídica: a renda é da empresa (não da pessoa física); o médico retira pro-labore ou lucros, declara essa parcela como pessoa física.
Posso ter CNPJ médico sem especialidade?
Sim. O CRM autoriza o exercício da medicina em geral; abrir empresa como médico (CNAE médico) é independente da especialidade específica. Mas pra se identificar como "especialista", precisa do RQE no CRM.
E se eu atendo em dois lugares diferentes?
Depende de como se faz: se emprega por hospital/clínica, o empregador cuida da formalização e você recebe por folha. Se atende particular em dois endereços, a nota (ou recibo) vai pelo caminho da estrutura jurídica — PJ ou PF, de forma consistente. Alguns médicos combinam: CLT em hospital durante a semana e consultório particular à noite, com empresa médica pros atendimentos particulares. Essa combinação é comum e permite otimizar impostos conforme a origem da renda.
E se o paciente tem plano de saúde?
O plano paga o médico diretamente, geralmente mensal, com base na produção (número de consultas realizadas). O médico (PJ) emite nota pro plano. O paciente, nesse caso, não recebe recibo da consulta — o pagamento é feito pelo plano, não pelo paciente diretamente. Pra médico que mescla particular e plano, as duas receitas aparecem na nota (ou recibo) distintamente: particulares via Receita Saúde ou NFS-e emitida ao paciente; convênio via NFS-e emitida ao plano. A soma das duas vai pra base tributária da empresa (ou pessoa física).


