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Taxa Selic: o que é, quem define e o que ela afeta

ESEditora Suitebras · · leitura de 23 min

Gráfico de linha azul com marcação em destaque, sob o título Taxa Selic

A Selic é o juro que puxa todos os outros atrás de si.

A taxa Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira: a referência a partir da qual se formam as outras taxas do país, do rendimento da poupança ao custo do financiamento da casa própria. Ela não é, por si, uma aplicação nem um contrato de crédito — é o parâmetro que o Banco Central move pra conduzir a política monetária. Pra empresa com endereço fiscal que vai contratar empréstimo PJ, financiar imobilizado ou aplicar reserva, a Selic é o número que define o custo e o rendimento ao longo do tempo.

Se você já se perguntou por que os juros do cartão de crédito sobem ou por que a renda fixa aparece com taxas maiores em certos períodos, a resposta começa nos movimentos da Selic. Tecnicamente, a Selic efetiva é a taxa média ajustada dos financiamentos diários apurados no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, lastreados em títulos públicos federais; e a meta da Selic é o número que o Comitê de Política Monetária (Copom) define como alvo para essa taxa. São duas coisas diferentes, e a distinção atravessa este guia.

Aqui você encontra o que a taxa é, quem a define e com que frequência, a diferença entre meta da Selic, Selic efetiva e CDI, como a variação dos juros chega ao crédito e à remuneração das aplicações, e qual é a regra legal que liga a Selic ao rendimento da poupança. Em 11 de outubro de 2026, a meta estava em 13,75% ao ano (Banco Central, série SGS 432); como esse número muda a cada decisão do Copom, o valor vigente se confere sempre no site do Banco Central. Este é um conteúdo informativo: explica como a taxa funciona e não constitui recomendação de investimento.

O que é a taxa Selic

A taxa Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e serve de referência para as demais taxas do país. O nome vem do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic), infraestrutura do mercado financeiro administrada pelo Banco Central do Brasil (BC) e em operação desde 1979, na qual os títulos públicos federais são registrados, custodiados e liquidados. Vale separar as duas coisas desde já: o Selic é o sistema; a taxa Selic é o juro apurado nas operações que correm dentro dele.

O sistema é a infraestrutura de mercado que responde pelo registro, custódia e liquidação de títulos públicos federais em tempo real. É nas operações registradas nele — financiamentos de um dia útil lastreados nesses títulos — que a taxa Selic efetiva é apurada, todos os dias, pelo Banco Central.

A taxa efetiva é a média ajustada das operações de financiamento de um dia útil lastreadas em títulos públicos federais. São operações entre instituições financeiras, que emprestam recursos umas às outras pelo prazo de um dia e dão títulos públicos em garantia. O Banco Central apura e divulga essa taxa todos os dias, em percentual ao ano, na série 1178 do seu Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS): em 9 de outubro de 2026 ela estava em 13,65% ao ano. É a essa taxa, e não à meta, que se referem expressões como “Selic Over” e “Selic diária”.

A meta da Selic é o principal instrumento de política monetária do Banco Central para perseguir a meta de inflação. Mudanças na meta alteram o custo do dinheiro no sistema financeiro e, por meio dele, influenciam o consumo das famílias, o crédito às empresas e as decisões de investimento — é o que se chama de mecanismo de transmissão da política monetária, e ele leva meses para se completar.

Como funciona a taxa Selic

O funcionamento da Selic envolve três números que costumam ser tratados como um só, e não são: a meta da Selic, a Selic efetiva e o CDI. Confundi-los é a origem da maior parte dos erros que se leem sobre o assunto.

Meta da Selic, Selic efetiva e CDI

A meta da Selic é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), colegiado formado por membros da diretoria do Banco Central. É um número decidido em reunião e anunciado em comunicado: não é observado no mercado, é estabelecido. Em 11 de outubro de 2026 a meta estava em 13,75% ao ano, em vigor desde a decisão de setembro de 2026 (Banco Central, série SGS 432).

A Selic efetiva, também chamada de Selic Over, é a taxa que de fato se pratica nas operações de um dia lastreadas em títulos públicos. Ela é apurada e divulgada todos os dias pelo Banco Central e costuma ficar próxima da meta, sem coincidir com ela: em 9 de outubro de 2026 estava em 13,65% ao ano, dez centésimos de ponto abaixo da meta de 13,75% (Banco Central, séries SGS 1178 e 432).

O terceiro número é o CDI, apurado a partir dos depósitos interfinanceiros de um dia — operações entre bancos, sem lastro em título público. Em 8 de outubro de 2026 o CDI anualizado estava em 13,65% ao ano (Banco Central, série SGS 4389). Para manter a Selic efetiva perto da meta, o Banco Central compra e vende títulos públicos em operações de mercado aberto, retirando ou injetando liquidez no sistema: é esse ajuste diário que faz os três números andarem juntos.

O papel do Copom

A meta da Selic é definida pelo Copom em oito reuniões ordinárias por ano, com calendário divulgado antecipadamente pelo Banco Central — e não em intervalo fixo de 45 dias, número que circula como se fosse regra. Os intervalos variam: entre as decisões que mudaram a meta em 2026, ficaram entre 42 e 49 dias (apurado na série SGS 432 do Banco Central, consultada em 11 de outubro de 2026). Em situação excepcional, o comitê também pode se reunir extraordinariamente. O comitê avalia indicadores domésticos e internacionais, incluindo projeções de inflação, atividade econômica, choques externos e política fiscal.

O resultado sai no mesmo dia, em comunicado oficial e sucinto, que informa a nova meta e as razões sumárias da decisão. A ata do Copom é publicada seis dias após a reunião e traz o detalhamento: a leitura do comitê sobre inflação, atividade, câmbio e riscos, e os cenários alternativos considerados. Quem acompanha juros lê a ata, não apenas o comunicado — é nela que aparece a avaliação que sustenta a decisão.

Impactos da taxa Selic na economia

Os efeitos de uma mudança na meta da Selic não aparecem de uma vez: propagam-se pelo crédito, pelos preços e pelas expectativas ao longo de meses, e alcançam desde grandes empresas até o orçamento familiar. É por isso que o Copom decide olhando para a inflação esperada à frente, e não para a inflação que já ocorreu.

Choques econômicos — crises financeiras, saltos no preço de commodities, mudanças abruptas no câmbio — entram nessa conta e podem alterar o rumo das decisões, porque mudam a inflação projetada para o período em que a política monetária ainda tem efeito.

Mecanismo de transmissão

Quando a meta da Selic sobe, o custo de captação dos bancos sobe com ela, e o crédito fica mais caro em toda a economia: empréstimos pessoais, financiamentos, parcelamentos e cheque especial passam a ser oferecidos com juros maiores. Crédito mais caro desestimula consumo e investimento, e é por esse caminho que a alta de juros age contra a inflação.

A redução da meta percorre o caminho inverso: barateia a captação, reduz as taxas oferecidas nas novas operações de crédito — inclusive em parcelamentos e cheque especial — e tende a aquecer consumo e investimento. Em nenhum dos dois sentidos o efeito é imediato ou igual para todos: contrato já assinado a juro fixo não muda, e cada linha de crédito reage em ritmo próprio.

Efeitos no crédito e nos financiamentos

A Selic é o piso de referência das linhas de crédito do mercado brasileiro. Sobre ela, cada instituição acrescenta o que se chama de spread: custo de captação além da taxa básica, inadimplência esperada, tributos, depósitos compulsórios, custos operacionais e margem. O juro que chega ao cliente é a soma de tudo isso, não a Selic.

Por isso uma elevação de 1 ponto percentual na meta não se traduz em 1 ponto percentual a mais em cada contrato. A transmissão existe, mas é parcial e desigual entre as modalidades: tende a ser mais rápida onde o prazo é curto e a captação é diretamente indexada à taxa básica, e mais lenta no crédito longo, como o financiamento imobiliário. As taxas médias efetivamente praticadas em cada modalidade são publicadas pelo Banco Central e podem ser consultadas lá, em vez de estimadas.

Cheque especial e crédito rotativo do cartão acompanham a mesma direção, mas partem de patamares muito acima da taxa básica, porque o spread dessas operações é alto — reflexo do risco e do prazo curto com que são concedidas. Nelas, a variação da Selic é um componente pequeno do juro final.

Como a Selic afeta os investimentos

A taxa Selic não remunera aplicação nenhuma: quem paga o investidor é o contrato de cada título. O que a Selic faz é mover as taxas oferecidas nesses contratos, e o efeito aparece com mais força nos investimentos de renda fixa, cuja remuneração é definida em percentual de uma taxa de juros, em taxa prefixada acordada na contratação ou em índice de preços mais juros.

Investimentos de renda fixa

Quando a meta da Selic sobe, as novas aplicações de renda fixa passam a ser oferecidas com taxas mais altas, e isso vale para CDBs, LCIs, LCAs e títulos do Tesouro Direto. Esses produtos têm a remuneração definida em contrato — um percentual do CDI, uma taxa prefixada ou um índice de preços mais juros —, e é esse contrato, não a Selic, que paga o investidor. A Selic entra como referência: move as taxas que os emissores oferecem em novas captações e, nos títulos pós-fixados, move a taxa que corre durante a aplicação. O que já foi contratado a prefixado não muda quando a meta muda.

O CDI é a referência mais usada na renda fixa privada: boa parte dos títulos é contratada como percentual do CDI, e o CDI, por sua vez, anda junto com a Selic. Vale guardar o que isso significa: um título pós-fixado em CDI acompanha a taxa de juros de curto prazo, não a inflação. Quando os juros sobem, a remuneração que corre nesse título sobe; se a inflação subir mais do que ela, o ganho acima dos preços diminui, ainda que a taxa nominal esteja maior. Acompanhar a inflação é característica de outro formato de contrato, o que paga um índice de preços mais uma taxa fixa.

Impacto na poupança

A poupança é o único caso em que a norma amarra a remuneração diretamente à meta da Selic. O rendimento se divide em duas partes: a remuneração básica, que é a acumulação da Taxa Referencial (TR) no período, e uma remuneração adicional, cujo cálculo depende do nível da meta Selic.

São duas hipóteses, pela norma: a remuneração adicional é de 0,5% ao mês enquanto a meta da taxa Selic ao ano for superior a 8,5%; com a meta igual ou inferior a 8,5% ao ano, o adicional passa a ser 70% da meta da Selic mensalizada, vigente na data de início do período de rendimento. Repare que o gatilho é a meta, definida pelo Copom, e não a Selic efetiva apurada no dia.

Com a meta em 13,75% ao ano em 11 de outubro de 2026 (Banco Central, série SGS 432), vale a hipótese superior: TR acumulada mais 0,5% ao mês, o que equivale a 6,17% ao ano se os 0,5% mensais forem capitalizados por doze meses, antes da TR. A regra dos 70% só voltaria a valer se a meta caísse a 8,5% ao ano ou menos. Dois detalhes costumam passar batido e mudam o resultado na prática: a remuneração é calculada sobre o menor saldo do período e, pra pessoa física, o período de rendimento é o mês corrido contado da data de aniversário da conta — o valor retirado antes do aniversário não recebe o rendimento daquele período.

Relação entre Selic e CDI

Mencionados quase sempre juntos, Selic e CDI são taxas diferentes, apuradas em mercados diferentes e divulgadas por instituições diferentes. A semelhança dos números esconde isso, e a confusão tem consequência prática: contratos de renda fixa privada são escritos em percentual do CDI, enquanto a regra da poupança é escrita em função da meta da Selic.

Diferenças fundamentais

O CDI nasce dos depósitos interfinanceiros: empréstimos de um dia entre bancos, feitos com recursos próprios e sem título público como lastro. Essas operações são registradas na B3, que calcula e divulga a taxa DI — é dela que se fala quando um título promete “100% do CDI”.

A Selic, por sua vez, é apurada em operações lastreadas em títulos públicos federais, registradas no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, administrado pelo Banco Central. E há ainda a distinção interna já vista: a meta é decidida pelo Copom, em reunião; a taxa efetiva é apurada todos os dias, a partir das operações do mercado.

Correlação prática

Na prática, as três taxas ficam muito próximas. Nas consultas de outubro de 2026 às séries do Banco Central, a meta estava em 13,75% ao ano (série SGS 432, em 11/10/2026), a Selic efetiva em 13,65% ao ano (série SGS 1178, em 09/10/2026) e o CDI em 13,65% ao ano (série SGS 4389, em 08/10/2026). A diferença entre elas é de centésimos de ponto, não de pontos inteiros. Para a conversa do dia a dia, tratar as três como se fossem uma só dá um resultado aproximado; para contrato, cálculo de rendimento e aplicação da regra da poupança, a diferença importa, porque cada regra se refere a uma taxa específica.

É essa proximidade que faz um título atrelado ao CDI acompanhar de perto a política monetária, sem que a Selic apareça no contrato. O investidor recebe o que o contrato diz — um percentual do CDI, por exemplo — e o CDI responde ao ambiente de juros que o Copom define. A ligação é indireta, e convém saber disso: se o contrato é prefixado, decisão nenhuma do Copom muda o que já foi contratado.

Quem define e quando muda a taxa Selic

A definição da meta é centralizada no Copom e segue calendário público, o que dá previsibilidade ao mercado. Entre as reuniões, o Banco Central opera diariamente no mercado aberto, comprando e vendendo títulos públicos para manter a taxa efetiva próxima da meta decidida: a decisão é periódica, a execução é diária.

Estrutura de governança

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central é o órgão que define a meta da taxa Selic, e é composto por membros da diretoria do Banco Central do Brasil. São oito reuniões ordinárias por ano, com o calendário divulgado com antecedência. Nenhuma outra instância define a meta, e ela não muda entre reuniões, salvo convocação extraordinária.

O cronograma anual é divulgado previamente, o que permite ao mercado se preparar para cada decisão. Essa previsibilidade é parte do próprio instrumento: expectativas ancoradas em um calendário conhecido reduzem a volatilidade em torno das reuniões.

Processo decisório

Nas reuniões, o Copom examina um conjunto amplo de informações: inflação corrente e projetada, expectativas de mercado, atividade econômica, mercado de trabalho, crédito, câmbio, contas públicas e cenário internacional. A decisão sai no mesmo dia, em comunicado oficial sucinto, com a nova meta e o balanço de riscos em poucas linhas.

A ata, publicada seis dias após cada reunião, abre o raciocínio: quais cenários foram considerados, que riscos pesaram em cada direção e o que o comitê sinalizou sobre os próximos passos. Como a meta já está anunciada quando a ata sai, o que o mercado busca nela é a leitura do comitê, não o número.

Cenário atual da taxa Selic

Qualquer número nesta seção envelhece: a meta muda a cada decisão do Copom. O que segue está datado, e o valor vigente se confere na série 432 do SGS, no site do Banco Central, que publica também a taxa efetiva do dia.

Onde a meta está e como chegou aqui

Em 11 de outubro de 2026, a meta da Selic estava em 13,75% ao ano, em vigor desde a decisão de setembro de 2026 (Banco Central, série SGS 432, consultada nessa data). O movimento recente é de queda, não de alta: a meta chegou a 15,00% ao ano em junho de 2025 e recuou em cinco decisões consecutivas entre março e setembro de 2026 — 14,75%, 14,50%, 14,25%, 14,00% e 13,75% — cada uma de 0,25 ponto percentual.

Uma sequência assim é o que se chama de ciclo de política monetária: altas sucessivas para conter a inflação, um intervalo de estabilidade e, quando a inflação projetada converge para a meta, reduções sucessivas. Câmbio, preços de commodities e juros nas economias avançadas entram nas decisões porque afetam justamente essa inflação esperada.

Como acompanhar

O Banco Central publica a meta vigente, a taxa efetiva diária e o calendário do Copom em seu site, e disponibiliza as séries históricas no SGS — a 432 para a meta da Selic, a 1178 para a Selic efetiva anualizada e a 4389 para o CDI anualizado. Comunicado e ata de cada reunião também ficam publicados ali.

Para quem só quer saber se a Selic subiu ou caiu, o comunicado do dia da reunião basta. Para entender por quê, e o que o comitê sinaliza adiante, a leitura é a ata, seis dias depois. Nenhuma das duas fontes cobra nada nem exige cadastro.

O que muda nas aplicações quando a Selic sobe ou cai

Compreender o ciclo da Selic ajuda a ler o que acontece com as aplicações em cada fase. O que vem abaixo descreve mecanismos — como cada tipo de remuneração responde a uma mudança na taxa de juros — e não indica aplicação, não sugere momento de aplicar nem projeta rendimento.

Quando a meta está em alta

Com a meta subindo, as novas captações de renda fixa são oferecidas com taxas maiores: um CDB prefixado passa a ser contratado a uma taxa mais alta, e um título pós-fixado em CDI passa a render mais ao longo do tempo, porque o CDI subiu. Quem já tinha um prefixado contratado antes continua recebendo a taxa antiga, que não acompanha a alta — e, no mercado secundário, esse prefixado antigo passa a valer menos, porque concorre com títulos novos de taxa maior.

Prazo e imposto entram na conta em sentidos opostos. Prazo mais longo trava a taxa contratada por mais tempo, o que isola o investidor de quedas futuras e também o impede de aproveitar altas futuras. E, na renda fixa tributada pela tabela regressiva, a alíquota de imposto de renda cai conforme o prazo da aplicação, de 22,5% até 180 dias a 15% acima de 720 dias. São informações sobre o funcionamento dos produtos, não sugestão de alongar ou encurtar prazo.

Quando a meta está em queda

Com a meta caindo, as novas captações de renda fixa saem com taxas menores e os pós-fixados em CDI passam a render menos em termos nominais. O prefixado contratado antes da queda continua pagando a taxa combinada e, no mercado secundário, passa a valer mais, pelo mesmo motivo que valia menos na alta: concorre com títulos novos de taxa menor.

Juros menores também mudam o ambiente das outras classes de ativos: crédito mais barato altera o custo de capital das empresas, e aplicações que competem com a renda fixa passam a ser comparadas com um retorno de referência mais baixo. Dizer isso não é dizer que uma classe passa a ser melhor do que a outra — risco, prazo, liquidez e tributação continuam diferentes em cada uma, e a comparação depende do caso concreto de cada investidor.

Perguntas frequentes sobre a taxa Selic

Qual é a taxa Selic hoje?

Em 11 de outubro de 2026, a meta da Selic estava em 13,75% ao ano, em vigor desde a decisão do Copom de setembro de 2026 (Banco Central, série SGS 432). No mesmo período, a Selic efetiva estava em 13,65% ao ano (série SGS 1178, em 09/10/2026). Como a meta muda a cada reunião do Copom, o valor vigente deve ser conferido no site do Banco Central, que publica a meta atual e a série histórica completa.

Qual é a diferença entre meta da Selic e Selic Over?

A meta é definida pelo Copom em reunião e anunciada em comunicado: é um objetivo de política monetária. A Selic Over, ou Selic efetiva, é a taxa apurada diariamente pelo Banco Central nas operações de um dia lastreadas em títulos públicos federais. A meta é decidida; a efetiva é medida. As duas ficam próximas porque o Banco Central atua no mercado aberto para aproximá-las, mas não coincidem: em outubro de 2026 havia dez centésimos de ponto entre elas.

Selic e CDI são a mesma coisa?

Não. O CDI é apurado a partir dos depósitos interfinanceiros de um dia, operações entre bancos sem lastro em títulos públicos, e é calculado e divulgado pela B3. A Selic é apurada em operações lastreadas em títulos públicos federais, no sistema administrado pelo Banco Central. Os números ficam próximos — 13,65% ao ano para o CDI em 08/10/2026 e 13,75% ao ano para a meta da Selic em 11/10/2026 (Banco Central, séries SGS 4389 e 432) — mas são taxas distintas, e cada contrato ou regra legal se refere a uma delas.

De quanto em quanto tempo a taxa Selic muda?

A meta pode mudar em cada reunião ordinária do Copom, e são oito por ano, em calendário divulgado previamente pelo Banco Central. Não é um intervalo fixo de 45 dias: entre as decisões que alteraram a meta em 2026, o intervalo variou de 42 a 49 dias (apurado na série SGS 432, consultada em 11/10/2026). O comitê pode ainda se reunir extraordinariamente. E uma reunião pode terminar sem mudança: manter a meta também é decisão.

Quem define a taxa Selic?

A meta é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), formado por membros da diretoria do Banco Central do Brasil. Nenhum outro órgão a define, e ela não muda entre reuniões. A taxa efetiva, por outro lado, não é definida por ninguém: resulta das operações do dia e é apurada e divulgada pelo Banco Central.

Quanto a poupança rende com a Selic em 13,75% ao ano?

Com a meta acima de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança é a TR acumulada no período mais 0,5% ao mês. Capitalizados por doze meses, esses 0,5% equivalem a 6,17% ao ano, antes da TR. A regra dos 70% da meta da Selic mensalizada vale apenas com a meta igual ou inferior a 8,5% ao ano.

A poupança segue a meta da Selic ou a Selic efetiva?

A meta. A norma é expressa: fala em "meta da taxa Selic ao ano, definida pelo Banco Central do Brasil". A Selic efetiva apurada no dia não entra nesse cálculo. A TR é a remuneração básica, somada ao adicional. Duas regras que também afetam o resultado: a remuneração incide sobre o menor saldo do período, e, pra pessoa física, o período é o mês corrido contado da data de aniversário da conta.

A Selic rende para quem investe?

Não diretamente. A Selic é taxa de referência, não aplicação: quem paga o investidor é o contrato de cada título. Um CDB pode pagar um percentual do CDI; um título público pode pagar a Selic efetiva acumulada, uma taxa prefixada ou um índice de preços mais juros. A Selic influencia as taxas que os emissores oferecem nas novas captações e a remuneração que corre nos títulos pós-fixados, mas não é ela que credita rendimento em conta nenhuma.

Quando a Selic sobe, vale mais a pena investir em renda fixa?

Esta pergunta não tem resposta geral, e o que segue é informação, não recomendação. O que a alta da meta muda, objetivamente, é que as novas captações de renda fixa passam a ser oferecidas com taxas maiores e os títulos pós-fixados em CDI passam a render mais em termos nominais. O que ela não muda: a taxa de um prefixado já contratado, que continua a mesma, e o preço de mercado desse prefixado, que cai quando os juros sobem. A escolha entre aplicações depende de objetivo, prazo, liquidez, tributação e tolerância a risco de cada pessoa, e é avaliada com profissional habilitado.

Quanto se paga de imposto de renda na renda fixa quando a Selic está alta?

A alíquota não depende do nível da Selic, e sim do prazo da aplicação. A tabela regressiva prevê 22,5% em aplicações de até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima de 720 dias, sempre sobre o rendimento e retida na fonte. Em outubro de 2026 essa tabela continua valendo.

A alta da Selic aumenta o juro do financiamento que eu já contratei?

Depende do que diz o contrato. Em contrato com juro fixo, a parcela não muda quando a meta sobe: a taxa foi travada na contratação. Em contrato indexado a uma taxa variável, a mudança chega conforme a regra de atualização prevista no próprio contrato. A alta da meta altera, antes de tudo, as condições das operações novas. E o juro final de qualquer uma delas é a taxa básica somada ao spread da instituição, que inclui inadimplência esperada, tributos, custos operacionais e margem.

Conclusão

A taxa Selic é mais do que um número divulgado pelo Banco Central: é o ponto em que a política monetária encosta na vida financeira de todos — do rendimento da poupança, que a lei amarra à meta, ao custo do financiamento da casa própria, que a segue de longe, somada ao spread de cada operação.

Três distinções resolvem a maior parte das dúvidas sobre o assunto. A meta é decidida pelo Copom, em oito reuniões ordinárias por ano. A Selic efetiva é apurada todos os dias pelo Banco Central e fica perto da meta, sem ser igual a ela. O CDI é outra taxa, calculada pela B3 a partir dos depósitos entre bancos, e é ele que aparece nos contratos de renda fixa privada. Nenhuma das três remunera uma aplicação: elas são referência, e quem paga o investidor é o contrato.

Com isso, dá para acompanhar as decisões do Copom e entender o que elas mudam — e o que não mudam — no crédito e nas aplicações. Os números deste guia estão datados em outubro de 2026; a meta vigente, a taxa efetiva do dia e o calendário das próximas reuniões estão sempre publicados no site do Banco Central. Este texto é informativo e não constitui recomendação de investimento: a decisão sobre qualquer aplicação depende de objetivos, prazo, liquidez e tolerância a risco, e é avaliada com profissional habilitado.

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