D4Sign: análise da plataforma de assinatura eletrônica
SBSuitebras Blog · · leitura de 24 min

Assinatura eletrônica com validade depende de como se autentica.
A D4Sign é uma plataforma brasileira de assinatura eletrônica. Este artigo responde ao que se pergunta antes de contratar: o que ela faz, quanto custa, que tipos de assinatura entrega e onde está o limite do que uma plataforma privada pode fazer. A distinção que organiza tudo o que vem a seguir é esta: a plataforma coleta a assinatura, mas não emite o certificado digital que a assinatura qualificada exige — esse certificado é da ICP-Brasil, sai de uma Autoridade Certificadora e o signatário precisa tê-lo antes. Todos os preços e limites citados aqui foram conferidos no site da própria D4Sign em 11 de outubro de 2026, e envelhecem rápido.
O que a análise encontrou
- A D4Sign é uma plataforma de assinatura eletrônica com interface curta e envio em três etapas. Em 11 de outubro de 2026, o site da empresa listava quatro planos pagos, a partir de R$ 39,90 por mês na menor faixa de volume, e não oferecia plano gratuito permanente: o que existe é teste grátis de 30 dias.
- A plataforma atende de pequenas empresas a grandes corporações e oferece os três níveis de assinatura eletrônica previstos no art. 4º da Lei nº 14.063/2020: simples, avançada e qualificada. O nível não é detalhe de plano: é ele que decide se o documento tem a presunção de veracidade do art. 10, § 1º, da MP nº 2.200-2/2001 ou se depende da aceitação da outra parte, pelo § 2º do mesmo artigo.
- A assinatura eletrônica não impede que o documento seja alterado — ela torna a alteração detectável. É assim que a lei a descreve: o art. 4º, II, "c", da Lei nº 14.063/2020 exige que a assinatura esteja relacionada aos dados "de tal modo que qualquer modificação posterior é detectável". Qualquer pessoa consegue editar um arquivo assinado; o que não consegue é editá-lo e continuar passando na validação.
O que a D4Sign é, e o que ela não é
A D4Sign é uma plataforma de assinatura eletrônica: recebe o arquivo, organiza a lista de quem precisa assinar, autentica cada signatário por um ou mais métodos, aplica a assinatura e guarda o documento com o registro do que aconteceu. A empresa chama o repositório de cofre, e é nele que os documentos ficam organizados por pasta. O que ela não é: Autoridade Certificadora. A D4Sign não emite certificado ICP-Brasil, e esse é o ponto que mais confunde quem contrata esperando que assinar ali equivalha, por si, a uma assinatura qualificada.
O fluxo prometido é curto — subir o arquivo, cadastrar os signatários, enviar — e é aí que está o atrativo real da plataforma, não na criptografia. Em outubro de 2026, a Central de Ajuda da D4Sign informava que o upload aceita PDF, DOCX, PowerPoint e imagens em PNG e JPEG, que todo arquivo enviado é convertido para PDF e que o limite é de 20 MB por documento, ampliado para até 500 MB com o recurso pago BigFile. Excel não consta da lista de formatos aceitos.
Quando o documento exige validade jurídica com certificado de pessoa jurídica, o signatário usa o e-CNPJ, que é um certificado ICP-Brasil emitido por uma Autoridade Certificadora — não pela D4Sign. É o caso previsto no art. 5º, § 2º, III, da Lei nº 14.063/2020, que torna obrigatória a assinatura qualificada "nas emissões de notas fiscais eletrônicas, com exceção daquelas cujos emitentes sejam pessoas físicas ou Microempreendedores Individuais (MEIs), situações em que o uso torna-se facultativo". A plataforma aceita o certificado que o signatário já tem; quem o emite, quem cobra por ele e quem o revoga é a Autoridade Certificadora.
Daqui em diante este artigo separa o que é verificável do que é promessa de página de vendas. Todo preço e todo limite citados vêm do site da própria D4Sign, com a data da consulta, porque preço de software por assinatura muda sem aviso e número desatualizado é pior do que número nenhum. Toda afirmação sobre valor jurídico vem do texto da lei, com artigo e parágrafo, porque é o que o leitor pode conferir sozinho.
Para quem a plataforma serve
A plataforma é genérica por desenho: serve a qualquer fluxo em que alguém precisa assinar um documento sem estar no mesmo lugar. Os usos mais comuns estão em recursos humanos, educação e serviços jurídicos, onde o volume de contratos repetidos é alto. O que de fato varia entre setores não é a plataforma: é o nível de assinatura que a norma de cada um exige. Registro em junta comercial, por exemplo, admite assinatura avançada — o art. 5º, § 1º, II, "c", da Lei nº 14.063/2020 a admite "no registro de atos perante as juntas comerciais". Emissão de nota fiscal eletrônica, não: ali a lei exige a qualificada.
Para quem lida com documento sensível, a pergunta útil não é "a plataforma é segura?". É "que prova sobra se a outra parte negar a assinatura?". Com assinatura simples, sobra o registro de quem acessou, de onde e quando. Com avançada, sobra também o método de autenticação usado e o que ele comprovou. Com qualificada, sobra o certificado ICP-Brasil e a presunção de veracidade do art. 10, § 1º, da MP nº 2.200-2/2001. Escolher o nível é escolher o tamanho da prova, e o custo de cada nível é diferente.
Isso faz a plataforma caber tanto na empresa pequena, que assina dez contratos por mês e paga o plano de entrada, quanto na corporação que integra o envio ao próprio sistema pela API. A diferença entre os dois casos é volume e integração, não validade: o mesmo documento, assinado no mesmo nível, vale igual nos dois.
Como se configura a conta
A configuração é curta. Primeiro se cria o cofre, que é a pasta onde os documentos vão ficar. Depois se faz o upload, respeitados os formatos aceitos e o limite de 20 MB por arquivo. A plataforma converte tudo para PDF, de modo que o documento que circula para assinatura é sempre um PDF, mesmo quando o original era um DOCX ou uma apresentação.
Em seguida se cadastram os signatários e se define, para cada um, como ele será autenticado. É aqui que o nível da assinatura se decide na prática, e não na hora de escolher o plano: o mesmo documento pode sair com assinatura simples para um signatário e qualificada para outro, dependendo do que foi exigido de cada um. Quem prepara o envio é quem responde por essa escolha.
Os métodos de autenticação que a D4Sign documentava em outubro de 2026 para a assinatura avançada são foto-selfie, vídeo selfie, foto do documento, autenticação por Pix, token por WhatsApp ou SMS, código exigido e assinatura presencial. Dois detalhes que a página de vendas não destaca: os pacotes de WhatsApp e de SMS são vendidos à parte, e na autenticação por Pix o signatário faz uma transferência simbólica cujo CPF tem de coincidir com o CPF cadastrado — se não coincidir, a plataforma bloqueia a assinatura.
Interface e personalização
A interface é o ponto em que a D4Sign compete de verdade. O fluxo de envio é curto, a tela de assinatura é limpa e quem recebe o link não precisa criar conta nem instalar nada quando o nível exigido é simples ou avançado. Para a assinatura qualificada é diferente: o signatário precisa do próprio certificado A1, em arquivo ou em nuvem, ou do A3, em cartão ou token — e essa é a etapa que nenhuma plataforma consegue simplificar, porque não depende dela.

A personalização cobre marca própria nos documentos e nas comunicações, e a criação de modelos, que é o recurso que mais economiza tempo para quem envia o mesmo contrato muitas vezes. Vale dizer o que o modelo não faz: ele não muda nada do valor jurídico do documento. Muda o tempo de preparo, que já é motivo suficiente.
Vale desfazer uma confusão que ronda os textos sobre plataformas de assinatura: o que protege o documento não é a interface, e um sistema não é feito de "materiais". O que protege é a criptografia aplicada ao arquivo, o controle de quem entra na conta e o registro do que cada pessoa fez. Uma interface clara reduz erro humano — que é, de longe, a maior fonte de problema num fluxo de assinatura, porque o documento enviado ao signatário errado não tem conserto técnico —, mas não é camada de segurança.
Funcionalidades e preços, conferidos em outubro de 2026
O envio segue três etapas: subir o documento, cadastrar quem assina, enviar. Sobre preço, o que o site da D4Sign mostrava em 11 de outubro de 2026 eram quatro planos — Básico, Avançado, Profissional e Personalizado — com valores de entrada de R$ 39,90, R$ 59,90 e R$ 79,90 por mês na menor faixa de volume, de 20 documentos mensais, e o Personalizado sob consulta. O preço sobe conforme a faixa contratada, que a própria página oferece em degraus de 20, 50, 100, 200 e 300 documentos por mês, além da opção ilimitada. Não há plano gratuito permanente: o que existe é teste grátis de 30 dias, sem cartão de crédito. Esses números são da data da consulta e precisam ser reconferidos na página de planos antes de qualquer decisão de compra.
Para autenticação, a plataforma combina métodos, e a verificação contra base oficial existe — mas é mais estreita do que a expressão "integração com o banco de dados do governo federal" sugere. O recurso é o D4Sign Score, que compara a selfie do signatário com a base do Denatran; ele é vendido separadamente e se contrata pelo comercial da empresa. O e-CNPJ e o e-CPF entram em outra categoria: não são método de autenticação da plataforma, são certificados ICP-Brasil que o signatário traz de fora e que elevam a assinatura ao nível qualificado.
Entre os recursos de gestão que acompanham os planos, a plataforma oferece:
- Cofres e pastas: para organizar os documentos por time, por cliente ou por tipo de contrato, o que importa mais do que parece quando o volume cresce.
- Vários signatários no mesmo documento: com ordem de assinatura definida por quem envia, e método de autenticação próprio para cada um.
- Envio em lote e API: o lote serve a quem manda o mesmo contrato para muita gente; a API serve a quem quer disparar o envio do sistema que a empresa já usa, sem passar pela tela.
Nos planos superiores entram recursos de gestão do ciclo de vida de contratos (CLM) e de inteligência artificial, segundo a página de planos consultada em outubro de 2026. O que esses recursos fazem concretamente varia de plano para plano e não foi testado nesta análise: ficam registrados como o que a empresa anuncia, não como o que se verificou.
O suporte e os relatórios são o que sustenta o uso em volume. Saber qual documento está pendente, de quem e há quantos dias é o que evita o contrato parado por duas semanas porque ninguém olhou a caixa de entrada — e esse é o problema real de quem gerencia assinatura, muito mais do que criptografia. Documentos dinâmicos e modelos completam o conjunto.
Desempenho: o que se pode e o que não se pode afirmar
Esta análise não mediu o desempenho da D4Sign, e por isso nenhum número de disponibilidade, de tempo médio de assinatura ou de usuários simultâneos é afirmado aqui. O que existe é o que a empresa publica: a página inicial do site, em outubro de 2026, anunciava "99,99% Uptime" para a infraestrutura em nuvem, sem termos de SLA nem compromisso contratual na mesma página. Número de marketing não é garantia. Garantia é cláusula de contrato, com crédito previsto se o serviço cair — e é isso que se pede ao comercial por escrito, quando o uso é crítico.
O que o leitor pode verificar sozinho vale mais do que qualquer média publicada: subir um documento real durante o teste de 30 dias, com os métodos de autenticação que vai usar de verdade, e cronometrar. Teste especialmente o Pix e o token por SMS, porque são os que dependem de terceiros — banco e operadora de telefonia — e por isso são os que falham. Um fluxo que funciona com e-mail e trava no SMS não é problema da plataforma, mas é problema seu.
Para volume alto, a pergunta certa não é quantos usuários simultâneos a plataforma suporta. É o que acontece no limite do plano: quantos documentos cabem na faixa contratada, quanto custa o documento excedente e se os pacotes de SMS e de WhatsApp estão inclusos ou são cobrados à parte. São esses os números que aparecem na fatura, e são eles que decidem se a conta fechou.
Os três níveis de assinatura, pela lei e pela plataforma
A classificação em três níveis não é da D4Sign nem de nenhuma plataforma: é do art. 4º da Lei nº 14.063/2020, e todas as plataformas brasileiras a seguem porque é a lei que organiza o mercado.
- Simples: a que permite identificar o signatário e que anexa ou associa dados a outros dados eletrônicos dele (art. 4º, I). Na D4Sign, é o nível que registra nome, CPF, data de nascimento, IP, data e hora, geolocalização e o e-mail de acesso, sem exigir método extra de autenticação.
- Avançada: a que usa certificado não emitido pela ICP-Brasil ou outro meio de comprovação de autoria e integridade, com associação unívoca ao signatário, controle exclusivo dos dados de criação e detectabilidade de qualquer modificação posterior (art. 4º, II). Na D4Sign é o nível dos métodos extras: foto-selfie, vídeo selfie, foto do documento, Pix, token por WhatsApp ou SMS, código exigido e assinatura presencial.
- Qualificada: a que usa certificado digital nos termos do art. 10, § 1º, da MP nº 2.200-2/2001, isto é, certificado da ICP-Brasil (art. 4º, III). Exige que o signatário tenha certificado A1, em arquivo ou nuvem, ou A3, em cartão ou token. A plataforma aceita esse certificado; não o emite, não o vende e não o substitui.
A diferença entre os três não é de grau de capricho: é de quanto a assinatura prova sozinha. O § 1º do mesmo art. 4º diz que os três tipos "caracterizam o nível de confiança sobre a identidade e a manifestação de vontade de seu titular", e põe a qualificada como a de nível mais elevado de confiabilidade.
Só a qualificada carrega a presunção do art. 10, § 1º, da MP nº 2.200-2/2001, segundo o qual as declarações constantes de documento eletrônico produzido com processo de certificação disponibilizado pela ICP-Brasil "presumem-se verdadeiros em relação aos signatários". E aqui cabe uma correção que circula errada em quase todo material comercial: assinatura qualificada não substitui reconhecimento de firma nem escritura pública. Validade da assinatura e requisito de forma são questões distintas — o ato que a lei exige em escritura pública continua exigindo, assinado digitalmente ou não.
Para os outros dois níveis vale o § 2º do mesmo artigo: a MP não obsta o uso de outro meio de comprovação de autoria e integridade, "inclusive os que utilizem certificados não emitidos pela ICP-Brasil, desde que admitido pelas partes como válido ou aceito pela pessoa a quem for oposto o documento". Em português claro: assinatura simples e avançada valem enquanto a outra parte aceita, e passam a depender de prova quando ela decide contestar. Para contrato de rotina entre partes que se conhecem, isso basta. Para o documento que vai ser discutido, não.
Há ainda uma fronteira que nenhuma plataforma atravessa: assinar petição em processo judicial. A Lei nº 14.063/2020 exclui expressamente os processos judiciais do seu alcance (art. 2º, parágrafo único, I), e quem rege o tema é a Lei nº 11.419/2006, cujo art. 1º, § 2º, III, traz lista fechada de duas formas — "assinatura digital baseada em certificado digital emitido por Autoridade Certificadora credenciada, na forma de lei específica" ou identificação "mediante cadastro de usuário no Poder Judiciário, conforme disciplinado pelos órgãos respectivos". Assinar um documento na D4Sign e protocolá-lo num tribunal são operações diferentes: a segunda depende do certificado credenciado ou do cadastro no tribunal, nunca da plataforma.
| nível | dispositivo | o que exige | na D4Sign | o que prova sozinha |
|---|---|---|---|---|
| Simples | Lei nº 14.063/2020, art. 4º, I | identificar o signatário e associar dados a dados eletrônicos dele | registro de nome, CPF, data de nascimento, IP, data e hora, geolocalização e e-mail de acesso | vale enquanto a outra parte aceitar (MP nº 2.200-2/2001, art. 10, § 2º) |
| Avançada | Lei nº 14.063/2020, art. 4º, II | associação unívoca, controle exclusivo dos dados de criação e detectabilidade de modificação posterior | foto-selfie, vídeo selfie, foto do documento, Pix, token por WhatsApp ou SMS, código exigido, assinatura presencial | vale enquanto a outra parte aceitar; a prova é a trilha de auditoria da plataforma |
| Qualificada | Lei nº 14.063/2020, art. 4º, III | certificado digital nos termos do art. 10, § 1º, da MP nº 2.200-2/2001, isto é, ICP-Brasil | a plataforma aceita o certificado A1 ou A3 do signatário; não o emite | presunção de veracidade do art. 10, § 1º, da MP nº 2.200-2/2001 |
| — petição em processo judicial | Lei nº 11.419/2006, art. 1º, § 2º, III | certificado de Autoridade Certificadora credenciada ou cadastro de usuário no Poder Judiciário | fora do alcance da plataforma | lista fechada: nenhum outro meio serve |
Certificado digital, formatos de assinatura e segurança
O que é o certificado digital, e quem o emite
Um certificado digital é um arquivo eletrônico que vincula uma identidade — nome, CPF ou CNPJ — a um par de chaves criptográficas. Serve para autenticar o titular numa transação eletrônica e é emitido por uma Autoridade Certificadora credenciada na ICP-Brasil, cuja raiz é o ITI, autarquia federal que a própria MP nº 2.200-2/2001 instituiu como Autoridade Certificadora Raiz (art. 13). O certificado tem prazo de validade, pode ser revogado e existe em dois formatos de guarda: o A1, em arquivo ou em nuvem, e o A3, em cartão ou token. Nada disso é produzido pela plataforma de assinatura: ela usa o certificado que o signatário já tem, e é por isso que a assinatura qualificada custa, para o signatário, o preço do certificado, além do plano.
Segurança: o que a plataforma controla
Antes de descrever os recursos, uma observação de método: este é o trecho em que textos sobre plataformas costumam copiar a página do fornecedor e falar na primeira pessoa, como se o blog fosse a empresa. Não é o caso — o que segue é descrição do que a D4Sign declara, não promessa nossa. A plataforma informa usar criptografia em trânsito e em repouso, autenticação em dois fatores no acesso à conta e controle de permissão por usuário. São as camadas que protegem o acesso ao cofre; nenhuma delas é o que dá valor jurídico ao documento, que vem do nível da assinatura e do certificado usado.
Os recursos de segurança, um a um
Os recursos que a D4Sign anunciava nessa frente, em outubro de 2026, são estes:
- Criptografia de dados: os dados são cifrados em trânsito e em repouso, de modo que o arquivo não circula nem fica guardado em texto aberto.
- Autenticação em dois fatores: o acesso à conta pede um segundo fator além da senha, o que reduz o risco de alguém entrar no cofre com uma credencial vazada.
- Controle de acesso: as permissões são por usuário, o que permite que quem prepara o documento não seja necessariamente quem pode vê-lo, baixá-lo ou apagá-lo.
- Monitoramento de atividades: a plataforma registra as ações feitas em cada documento, e é esse registro — a trilha de auditoria — que sustenta a assinatura simples e a avançada quando alguém contesta. Na qualificada a prova está no próprio certificado, e se confere no VALIDAR, do ITI, independentemente da plataforma. É uma diferença prática relevante: a trilha de auditoria depende de a empresa existir e responder; o certificado, não.
Gestão dos documentos no cofre
Upload e armazenamento dos documentos
O upload aceita PDF, DOCX, PowerPoint e imagens em PNG e JPEG, conforme a Central de Ajuda da D4Sign consultada em outubro de 2026, e tudo é convertido para PDF. O limite é de 20 MB por documento, principal ou anexo; acima disso é preciso contratar o recurso BigFile, que amplia o teto para até 500 MB. Excel não está na lista: quem precisa assinar planilha exporta para PDF antes, e confere o resultado, porque a conversão de planilha larga costuma cortar colunas.
Os recursos de organização que acompanham a plataforma são estes:
- Organização em pastas: pastas e subpastas dentro do cofre, o que importa mais do que parece quando o volume cresce — documento assinado que ninguém acha é documento perdido.
- Busca: por nome, data ou conteúdo, para localizar o contrato sem depender da memória de quem o enviou.
- Histórico por documento: as alterações e os acessos ficam registrados, com quem fez o quê e quando.
- Notificações: de envio, de assinatura e de conclusão, para que o fluxo não pare esperando alguém lembrar de abrir o e-mail.
Cabe uma ressalva sobre guarda, que vale para qualquer plataforma: o documento assinado é um arquivo, e quem precisa dele a longo prazo não deve deixá-lo só na conta do fornecedor. Baixe o PDF assinado e, quando a assinatura for destacada, baixe o arquivo .p7s junto — os dois precisam circular juntos para a validação funcionar. Plataforma é serviço contratado, com prazo e com fatura; o documento é seu, e precisa sobreviver ao contrato.
Veredito: para quem a D4Sign faz sentido
A D4Sign compete bem no segmento de entrada do mercado brasileiro: preço inicial baixo, fluxo curto e os métodos de autenticação que as juntas comerciais aceitam. Diante de Docusign e da Adobe Sign, o argumento é preço em real e suporte em português, não recurso exclusivo. E há um ponto em que as três empatam: nenhuma emite certificado ICP-Brasil, e por isso nenhuma resolve sozinha o caso em que a norma exige assinatura qualificada.
Entre as plataformas brasileiras, a escolha se decide em três perguntas, e nenhuma delas é sobre criptografia: quantos documentos por mês você assina de verdade, quais métodos de autenticação a sua norma setorial exige e se os pacotes desses métodos estão inclusos ou são cobrados à parte. Interface conta, mas é o que se testa em quinze minutos no período gratuito. Fatura inesperada é o que dura doze meses.
Em resumo: a D4Sign é escolha razoável para a empresa pequena ou média que assina contrato repetido e quer sair do papel sem projeto de TI. Não é — e nenhuma plataforma é — substituto de certificado digital quando a norma exige assinatura qualificada, nem caminho para peticionar em processo judicial. Conhecer essas duas fronteiras antes de contratar evita a descoberta caríssima de que o documento assinado não serve para o ato que se pretendia praticar.
Alternativas, e como compará-las sem errar o preço
Esta seção não traz tabela de preços das concorrentes, e a razão é prática: preço de plataforma de assinatura muda de mês para mês e por faixa de volume, e preço errado num artigo é pior do que preço nenhum, porque o leitor decide com ele. O que fica é o método de comparação. Em outubro de 2026, a Docusign e a Adobe Sign eram as opções internacionais de referência no Brasil, com planos em dólar e em real, respectivamente, e nenhuma das duas publicava plano gratuito permanente em página aberta.
Entre as brasileiras, a Clicksign é a concorrente mais direta. Em outubro de 2026, a própria central de ajuda da empresa informava teste gratuito de 15 dias e planos pagos, e não plano gratuito permanente — ao contrário do que se repete em comparativos espalhados pela internet. Já a Contraktor é voltada à gestão do ciclo de vida de contratos e, na data desta consulta, não publicava preço: a página de planos remete ao contato com vendas. Outras opções atendem casos específicos — a TOTVS Assinatura Eletrônica, para quem já usa o ERP da própria TOTVS, e as ferramentas de PDF com assinatura embutida, para volume baixo e eventual.
Para comparar sem se perder em cupom e em promoção, use quatro critérios, nesta ordem. Primeiro, os níveis de assinatura que a plataforma entrega, e se a qualificada está inclusa sem custo adicional por documento. Segundo, os métodos de autenticação que a sua norma setorial exige, e se são cobrados à parte — é aqui que a conta estoura. Terceiro, o custo real na sua faixa de volume, incluindo o preço do documento excedente. Quarto, o que acontece com os documentos se você cancelar: por quanto tempo ficam acessíveis e como se faz a exportação em massa.
Com esses quatro critérios, a comparação deixa de ser uma disputa de quem tem a página mais bonita. E vale repetir o que serve para todas: nenhuma delas emite certificado ICP-Brasil, todas aceitam o certificado que o signatário trouxer, e o valor jurídico do documento vem do nível da assinatura e da norma que rege o ato — não da marca da plataforma.
Resumo do que ficou verificado
A D4Sign é uma plataforma de assinatura eletrônica de uso simples, com preço de entrada baixo e os três níveis previstos no art. 4º da Lei nº 14.063/2020. Em 11 de outubro de 2026, o site listava quatro planos, a partir de R$ 39,90 por mês na menor faixa de volume, e nenhum plano gratuito permanente — só o teste de 30 dias. Os limites do que ela faz são dois, e ambos vêm da lei, não da empresa: a plataforma não emite certificado ICP-Brasil, de modo que a assinatura qualificada depende do certificado do próprio signatário, e não serve para assinar petição em processo judicial, caso regido pela Lei nº 11.419/2006. Dentro dessas fronteiras, é ferramenta útil e barata. Fora delas, não há plataforma que resolva.
Perguntas frequentes sobre a D4Sign
A D4Sign é confiável e segura?
A plataforma declara criptografia em trânsito e em repouso, autenticação em dois fatores no acesso à conta, controle de permissão por usuário e registro das ações feitas em cada documento. Esses recursos protegem o acesso à conta e ao cofre, e é isso que eles protegem — nada além. O que dá valor jurídico ao documento é outra coisa: o nível da assinatura usada e, na qualificada, o certificado ICP-Brasil do signatário, que a D4Sign aceita mas não emite.
Quais tipos de assinatura a D4Sign oferece?
Os três do art. 4º da Lei nº 14.063/2020: simples, avançada e qualificada. A simples registra dados do signatário, como nome, CPF, IP, data, hora e geolocalização. A avançada acrescenta um método de autenticação — foto-selfie, vídeo selfie, foto do documento, Pix, token por WhatsApp ou SMS, código exigido ou assinatura presencial. A qualificada exige certificado ICP-Brasil A1 ou A3 do próprio signatário, e é a única com a presunção de veracidade do art. 10, § 1º, da MP nº 2.200-2/2001.
A D4Sign oferece algum plano gratuito?
Não há plano gratuito permanente. Em 11 de outubro de 2026, o site da D4Sign oferecia teste grátis de 30 dias, sem cartão de crédito, e quatro planos pagos — Básico, Avançado, Profissional e Personalizado —, com valores de entrada de R$ 39,90, R$ 59,90 e R$ 79,90 por mês na faixa de 20 documentos mensais, mais o Personalizado sob consulta. Preço de plataforma muda: confira na página de planos antes de contratar.
A D4Sign é melhor que a Clicksign ou a Docusign?
Depende de quatro coisas, e nenhuma delas é a marca: os níveis de assinatura de que você precisa, os métodos de autenticação que a sua norma setorial exige, o custo real na sua faixa de volume — incluindo documento excedente e pacotes de SMS ou WhatsApp cobrados à parte — e o que acontece com os seus documentos se você cancelar. No ponto que mais importa juridicamente, as três empatam: nenhuma emite certificado ICP-Brasil, e todas dependem do certificado que o signatário trouxer quando a norma exigir assinatura qualificada.
A D4Sign é adequada para pequenas empresas?
É o segmento em que ela compete melhor: em outubro de 2026, o plano de entrada custava R$ 39,90 por mês na faixa de 20 documentos, e a configuração não exige projeto de TI nem integração. Antes de contratar, conte quantos documentos a empresa assina por mês de verdade, não quantos imagina assinar, e verifique se os métodos de autenticação que você vai usar estão inclusos no plano ou são vendidos em pacote separado.


